quarta-feira, 6 de abril de 2011

Língua portuguesa - Olavo Bilac



Última flor do Lácio (1), inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!



Olavo Bilac, além de poeta parnasiano, cronista, contista, conferencista e autor de livros didáticos, deixou também na imprensa do tempo do Império e dos primeiros anos da República vasta colaboração humorística e satírica, assinada com os mais variados pseudônimos, entre os quais os de Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc., assinando, em outras vezes, o seu próprio nome. Nascido no Rio de Janeiro a 16 de dezembro de 1865, foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, em que ocupou a cadeira nº. 15, que tem Gonçalves Dias por patrono. No seu principal livro, "Poesias", incluiu Bilac alguns sonetos satíricos , sob o título de "Os Monstros". Escreveu livros em colaboração com Coelho Neto, Manuel Bonfim e Guimarães Passos, sendo que, com este último, o volume intitulado "Pimentões", de versos humorísticos.

Os versos acima foram extraídos do livro "Poesias", Livraria Francisco Alves - Rio de Janeiro, 1964, pág. 262.


(1) -  Lácio é uma região na Itália central onde se falava Latim. Muitas línguas derivaram do Latim, como francês, espanhol e italiano. A última delas foi o português, por isto a língua portuguesa foi denominada pelo poeta de “última flor do Lácio”, ou seja, o último idioma que nasceu do Latim.

Oposição quer requentar o mensalão. Pois o PT deveria jogar gasolina na fogueira.

A revista Época, das Organizações Globo, publicou matéria requentando o chamado "mensalão". A oposição disse querer que o STF e Ministério público apurem mais.

Ótimo que se apure. Do lado petista já viraram a vida do avesso de praticamente todo mundo, e dificilmente encontrarão algo novo. A hora é de comprar a briga e exigir também que apurem os tucanos com seus podres escondidos no armário, muito além do Eduardo Azeredo (PSDB/MG).

No governo FHC, antes do Azeredo em 1998, as agências de propaganda da qual Marcos Valério era sócio já atuavam com desenvoltura.

A agência DNA era contratada pelo Banco do Brasil desde março de 1994, ainda no governo Itamar Franco, e continuou atuando no banco durante os 8 anos do governo FHC.

A mesma agência também teve contratos com:

- o Ministério da Educação, a partir de novembro de 1995 até julho de 1996, na gestão do tucano Paulo Renato de Souza;

- o Ministério do Trabalho, desde setembro de 1996, quando Paulo Paiva era ministro e o atual governador tucano Antonio Anastasia era secretário-executivo do ministério;

- Telemig, desde agosto de 1996, quando ainda era estatal, sob o comando do então ministro Sérgio Motta;

- o Ministério dos Esportes de FHC desde novembro de 1995;

- a Eletronorte desde maio de 2001, sob hierarquia do então senador do PFL, José Jorge;

A outra agência de publicidade envolvida, a SMPB, teve contratos no governo demo-tucano com:

- FUNDACENTRO, desde maio de 1997, sob hierarquia do Ministério do Trabalho, quando Antonio Anastasia era secretário-executivo.

- Ministério dos Esportes, desde setembro de 2001, quando o ministro era Carlos Melles (PFL/DEMos/MG);

- TELESP, desde março de 1996, quando ainda era estatal, sob o comando do então ministro Sérgio Motta;

- TELEMIG, desde agosto de 1996 (assim como a DNA), também ainda sob o comando do então ministro Sérgio Motta;

Governos estaduais

Estas agências de Marcos Valério ainda atenderam os governos:

- do tucano Aécio Neves, em Minas;

- do tucano Marconi Perillo em Goiás;

- de Joaquim Roriz em Brasília;

Outros pontos obscuros:

A Telemig Celular e a Amazônia Celular, controladas por Daniel Dantas na época, injetou R$ 152 milhões nas agências de Marcos Valério. Para onde e para quem foi este dinheiro?

A SMP&B fez uma única doação oficial de campanha em 2002: R$ 4.000,00 para Aécio Neves (PSDB/MG). O valor oficial é relativamente baixo, mas o simbolismo da proximidade é alto.

A Visanet, tratada como sendo uma das fontes do mensalão, não era apenas do Banco do Brasil. O Bradesco era sócio majoritário.

O prédio onde funcionava as agências de publicidade eram da empresa de Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de José Serra e FHC.

Vários destes casos estão narrados na CPI dos Correios, mas cadê o Ministério Público Federal de São Paulo, para investigar para onde foi o dinheiro dado pela TELESP à SMPB? Bastaria quebrar o sigilo bancário da empresa no período anterior à privatização, que muito provavelmente voaria penas para todos os lados.

Cadê o Ministério Público Federal de Minas para investigar para onde foi o dinheiro dado à SMP&B pelo ex-ministro dos esportes Carlos Melles, ligado a Aécio Neves ?

http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/

Sumiu dinheiro que o Dantas mandou para a Globo



Banco de Daniel Dantas diz que seu “mensalão” foi para a Globo.

Quando os tubarões brigam, o povo ganha.

O Opportunity, banco de Daniel Dantas, emitiu nota considerando idiota a reportagem da revista Época, ao considerá-lo fonte de pagamentos ao governo, no chamado “mensalão”, pois desde que o governo Lula assumiu, o seu banco não teve mais a “generosidade” encontrada no governo FHC, e precisou enfrentar as barras da lei.

Dessa vez, e só desta, temos que concordar em parte com Dantas. A CPI dos Correios apurou que a Telemig Celular e a Amazônia Celular, pagou R$ 152 milhões às empresas de Marcos Valério. A Brasil Telecom, R$ 4,7 milhões. Se esse dinheiro foi para políticos, não foi para o governo Lula (hostil às investidas de Dantas), e sim para a bancada de Dantas, no Congresso ou nos estados.

Mas o curioso é o final da nota: “Na Telemig, segundo informações prestadas à CPI do Mensalão, a maioria dos recursos eram repassados as Organizações Globo. Por isso, a apuração desses fatos fica fácil de ser feita pela Época.”

Se o “mensalão” da Telemig foi para a Globo, alguém não contabilizou todo o valor.

A CPI apurou R$ 122,3 milhões pagos pela Telemig para as empresas de Marcos Valério, entre 2000 e 2005.

Os pagamentos para o Grupo Globo, apurados pela CPI, no mesmo período, foram de R$ 7,4 milhões.
Tem R$ 114 milhões de diferença, não contabilizados.

Então ou a Globo apresenta voluntariamente sua planilha dos recebimentos da DNA e SMPB para dirimir dúvidas, ou o Ministério Público precisa pedir a quebra do sigilo bancário e contábil das empresas das Organizações Globo para encontrar essa diferença.

BRIZOLA E LACERDA


Durante mais de 20 anos, Leonel Brizola foi um ferrenho adversário político de Carlos Lacerda. Desde seu primeiro confronto público na Câmara, em 1955, a relação entre os dois foi de divergência total. É importante  observar, no entanto,  o que ele diz nas últimas 5 linhas deste texto, quando afirma que “Hoje eu já faço algumas revisões” reconhecendo aspectos positivos da personalidade e atuação do antigo inimigo político. O depoimento abaixo,  de Brizola, foi extraído do livro “Histórias do poder”. 


“Depois da morte de Vargas, que foi em 24 de agosto, nas eleições de outubro eu me elegi deputado federal. No dia da posse, eu não sei de onde busquei aquela minha inspiração, pois lendo a Tribuna da Imprensa todos os dias, notava que o Lacerda estava pregando o golpe, não queria eleições. O Juscelino estava se candidatando. Ele queria adiar eleições. Dizia que, diante da morte de Vargas, não podia haver eleições. As eleições já marcadas. Então, no dia da posse dos novos deputados na Câmara, eu, matuto do interior, provinciano no Congresso, até estava com uma edição da Tribuna da Imprensa na mão. 


Lacerda também tomava posse como deputado federal. Foi quando decidi fazer uma interpelação a esse sujeito. Fiquei nas proximidades do microfone. E a mesa fazendo a chamada de praxe para os novos deputados. Fulano de tal: ‘Assim o prometo.’ Fazendo todos o juramento de praxe.


Dali a pouco chegou a vez de Carlos Lacerda. Antes dele dizer ‘Assim o prometo.’, eu disse: ‘Pela ordem, senhor presidente. Esse é um juramento falso. Ele está usando aqui dentro a democracia e está pregando o golpe lá fora. Não deu tempo de nada, nem de cortar o microfone: a campainha, aquele barulho, foi uma ovação no Congresso, e ele ficou dizendo sem parar: ‘O que é que é isso, o que não é isso?’


Depois desligaram o microfone, mas o fato foi que eu fiz. Ganhei uma manchete geral da imprensa brasileira no dia seguinte e marquei uma posição ali. Nós não chegamos a ter – a não ser ligeiramente – um debate, porque ele era uma figura muito questionada e muito protegida por seus adeptos. Então nunca houve a oportunidade para nada maior, a não ser pequenos atritos.”


Depois, conta Brizola, “eu fui embora para ser candidato a prefeito de Porto Alegre. Mas sempre estive na linha dos combatentes à política de Carlos Lacerda. Hoje eu já faço algumas revisões. Acho que ele foi um bom administrador, acho que foi um lutador a seu modo, foi um homem de grande talento. E acho que a morte dele é obscura. Não deixo de desconfiar que não foi morte natural.”


http://www.politicaparapoliticos.com.br/

Choque de gestão de Aécio/Anastasia mata eletricistas da CEMIG


Os trabalhadores da CEMIG (estatal de eletricidade do governo mineiro) fizeram um ato público em frente à Assembleia Legislativa de Minas Gerais, na manhã de quinta-feira (24).

Eles protestaram contra o elevado número de mortes em acidentes de trabalho na empresa, decorrentes do "choque de gestão", que terceiriza para empreiteiras privadas, até mesmo atividades de alto risco.


Esperam sensibilizar autoridades estaduais e federais, a imprensa e a sociedade sobre as tragédias que poderiam ser evitadas pelo governo do Estado e pela direção da Cemig.


As precárias condições de trabalho fazem a Cemig liderar o ranking nacional de acidentes no setor elétrico, com uma morte a cada 45 dias.


Este ano já morreram dois trabalhadores terceirizados da Cemig. O eletricista do consórcio Setap, Thiago Matias Carvalho, 26 anos, pai de quatro filhos, morreu na manhã da segunda-feira, 21, durante a substituição de poste, à margem da BR 365 em Uberlândia. (com informações do Sindieletro-MG)

Israel ameaça Palestina com medidas unilaterais

Nos últimos meses, vários países latino-americanos (Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Guiana e Uruguai) reconheceram oficialmente o Estado palestino. É provável que Paraguai e Peru sigam o mesmo caminho em breve, enquanto a Venezuela já o fez na década passada. Por outro lado, a Noruega passou a considerar “delegação diplomática” o escritório palestino em Oslo, antes chamado “delegação geral”.

Nos últimos quatro meses, várias outras nações amigas de Israel, como França, Espanha e Portugal, tomaram a mesma medida. Outras centenas de países, a maioria do Sul, reconheceram a “Palestina” depois do seu líder histórico, Yasser Arafat (1929-2004) ter declarado unilateralmente a sua independência em 1988. Outros Estados, a maioria do antigo Bloco do Leste, reconheceram o Estado palestino às vésperas dos acordos de paz de Oslo de 1993.

A onda diplomática originada na América Latina pode propagar-se pela África e Ásia. Um sinal disso foi notado quando a Universidade de Johannesburgo, na África do Sul, decidiu, na semana passada, cessar todo tipo de cooperação com a Universidade Bem Gurion e boicotar outras instituições acadêmicas israelenses. O antigo regime do apartheid (segregação racial institucionalizada pela minoria branca contra a maioria negra) na África do Sul costumava ser um dos aliados mais próximos de Israel.

A cooperação militar, política e econômica entre os dois governos era extremamente próxima. Israel ajudou a treinar as forças de segurança sul-africanas, famosas pela sua brutalidade, e ajudou o regime com seu programa de desenvolvimento nuclear, desarticulado com o fim do apartheid e a chegada do governo democrático, liderado por Nelson Mandela (1994-1999). Acredita-se que, por outro lado, que os sul-africanos forneceram urânio a Israel para seu próprio plano atômico.

A indignação de Israel pelas críticas internacionais atingiu o seu ponto mais alto quando o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, disse que as negociações entre as duas partes permaneciam congeladas. Na semana passada, Israel informou aos 15 membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas e aos maiores países da UE que se a ANP persistir nos seus esforços para obter reconhecimento como Estado, responderia com medidas unilaterais.

Também na semana passada, a chancelaria israelense enviou um telegrama classificado a mais de 30 de suas embaixadas, ordenando que apresentassem protestos diplomáticos no mais alto nível possível em resposta aos esforços palestinos pelo reconhecimento internacional na próxima sessão da Assembleia Geral da ONU.

Em setembro passado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse na Assembleia Geral que desejava ver o Estado palestino convertido em membro da ONU em menos de um ano. Israel e ANP também disseram que as conversações começaram dia 2 de setembro em Washington e durariam, pelo menos um ano. O primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, anunciou que os esforços para criar instituições estatais estarão completos até setembro próximo.

Embora soe ameaçador, não se sabe exactamente o que o governo israelense tem em mente quando fala de “ações unilaterais”. É possível que anexe grandes blocos de assentamentos israelenses construídos ilegalmente na Cisjordânia ocupada. Más notícias para Israel chegaram no dia 30 de março, quando o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chamou esse país a deter a construção de colônias em territórios palestinos ocupados e toda a forma de violência e provocação.

Ao falar no Uruguai durante uma conferência internacional organizada pela ONU sobre apoio latino-americano e caribenho à paz no Oriente Médio, Ban afirmou que é um momento “crucial” para o processo de paz. “O tempo é essencial para concretizar a solução dos dois Estados. A ocupação que começou em 1967 é moral e politicamente insustentável, e deve acabar. Os palestinos têm um direito legítimo de estabelecer um Estado independente e viável por si mesmos”.

Mas Samir Awad, da Universidade de Birzeit, na Palestina, perto da cidade de Ramalah, na Cisjordânia, acredita que os israelenses estão mais preocupados em controlar o terreno do que com a opinião internacional. “Os israelenses, contrariamente às suas afirmações de que apoiam a criação de um Estado palestiniano, decidiram, ao menos extra-oficialmente, que isso não está entre os seus interesses”, disse Samir, à IPS. “Para consumo internacional e a fim de manter as aparências, continuarão com a farsa de apoiar a solução dos dois Estados”, acrescentou.

 Mel Frykberg - Envolverde/IPSNews