terça-feira, 5 de julho de 2011

Hoje na História: COPA DO MUNDO DE 1982 - A ITALIA ELIMINA O BRASIL OU O DIA QUE O BRASIL CHOROU

A expectativa pelo quarto título mundial consumiu os brasileiros por longos 24 anos. Mas a agonia poderia ter sido cortada pela metade, não fosse a fatídica tarde de 5 de julho de 1982. Naquele dia de sol no Estádio Sarriá, em Barcelona, a seleção brasileira perdeu por 3 a 2 para a Itália.

Para uma equipe brilhante – a melhor do país desde 1970 – a derrota significou o fim de um sonho que parecia possível após quatro vitórias convincentes. Para o esporte, o resultado representou ainda mais: a vitória da pragmática seleção italiana mostrou novamente que jogar bonito e de forma ofensiva não era o bastante para vencer um Mundial. Para muitos, naquele 5 de julho, morria o tão aclamado "futebol arte".

Brasil x Itália se enfrentariam no Sarriá. O empate favorecia a Seleção Brasileira. O que não estava nos planos dos brasileiros era o despertar de um certo jogador.

Envolvido num escândalo a respeito de fraudes na loteria e resultados arranjados em 1980, o centroavante italiano Paolo Rossi foi suspenso por três anos do futebol. Sua pena foi revogada para um ano, e ele estava um tanto quanto inativo às vésperas da Copa de 82. Passou em branco na primeira fase, e o técnico italiano Enzo Bearzot sofria pressões para retirá-lo do time.

Para nossa falta de forte, o técnico italiano foi teimoso o suficiente para manter Rossi como titular.

Aos cinco minutos do jogo, a estrela de Paolo brilhou num cruzamento na área brasileira, fazendo o primeiro gol da partida.

Ora, nosso time era talentoso, dava para correr atrás. Zico estava sendo caçado por Gentile, que até rasgou sua camisa.

Num lance genial, Zico dribla Gentile e rola para Sócrates, que entra na área e vence o goleiro Zoff. 1 x 1, e novamente estávamos classificados.

Uma desatenção na defesa, Rossi entra, rouba a bola e fuzila Valdir, 2 x 1 Itália. O Brasil pressiona, mas assim termina o primeiro tempo.

O segundo tempo é pressão pura do Brasil, apesar da Itália ter um gol anulado. A defesa italiana contém as sucessivas tentativas do ataque brasileiro. Mas numa jogada genial do ataque brasileiro, Falcão domina a bola, Cerezo distrai a marcação, Falcão traz para o meio e dispara, sem chance para Zoff. 2 x 2, alívio geral, e agora a certeza da classificação com o empate.

Um escanteio bobo, uma bola mal cortada, um chute fraco para dentro da área… Que encontra justamente… Paolo Rossi. O italiano não perdoa e coloca a Itália à frente com três gols. Aquela seleção que encantava o mundo estava prestes a voltar para casa.

No último minuto, uma cabeçada de Oscar é disparada rumo ao gol, mas as mãos de Dino Zoff acabam com o sonho do Tetra. Como diria Paolo Rossi em seu livro, anos mais tarde: “Ho fatto il Brasile piangere” (Fiz o Brasil chorar). O futebol-arte acabara de sofrer um golpe duríssimo.
A DERROTA SEGUNDO JOÃO SALDANHA.

Crônica no Jornal do Brasil, 6 de julho de 1982 

 

Barcelona - Tantos crimes contra o bom senso, contra o senso comum, não poderiam passar impunemente. O fato de possuirmos jogadores extra-série como Zico, Falcão, Sócrates, Júnior e Cerezo davam(sic) a falsa impressão de que éramos superiores em tudo. Mas uma estupidez siderúrgica rondava nosso propósito de ganhar uma Copa, onde quem nos derrotou passou mal com o país dos Camarões. Inventaram uma tática no Brasil abandonando preciosos espaços de campo. Ora, somente um primarismo infantil e teimoso poderia pensar que os adversários não iriam aproveitar o erro clamoroso. 

Veio logo o primeiro jogo, o da União Soviética. Sim, foi uma falha de Valdir Peres e isto é uma outra questão. Mas o time soviético, quando se apertava, jogava a bola para seu lateral esquerdo que sempre estava livre. Claro, raios que me partam, pois se não tínhamos ninguém ali. Leandro, sempre mal fisicamente, tentava suprir o extrema que não tínhamos. 

No jogo da Itália, com mais quinze minutos sairia levado pelas enfermeiras não para um hospital, mas para um cemitério. Estava morto de cansaço. E o Cabrini folgava sempre. Era jogada de desafogo do time italiano. Qualquer problema e bastava jogar a bola por ali. Fizeram o primeiro e, quando precisavam da cera, bastava segurar o jogo pelo lado onde tínhamos apenas o Leandro. 

Sim, Zico, Sócrates, Júnior, Cerezo e este estupendo Falcão sempre estiveram muito bem. Mas até carregadores de piano cansam quando fazem esforços acima de sua capacidade. Nosso time, com a tão decantada preparação especial, estava muito cansado no final do jogo. De um lado, existe algo positivo que é a desmistificação do charlatanismo. Os inventores do futebol que se recusam a ocupar espaços indispensáveis e que não percebem que se joga num retângulo, rigorosamente geométrico, e querem jogar enviesado como se as balizas estivessem nos córneres. 

Se chegamos a uma posição tão elevada, devemos à qualidade de quatro ou cinco jogadores excepcionais, mas cuja capacidade física também tem seus limites. A Copa não era difícil de ganhar. Mas a teimosia superou tudo. Culpar Serginho seria um erro. O jogador não tem culpa da teimosia que ficou clara no primeiro jogo, mas infelizmente não foi aproveitada. Não deixo de assinalar que faltou um pouco de modéstia quando empatamos ontem em 2 a 2. Alguém andou rebolando ali e o time italiano, que estava melhor fisicamente do que o nosso, veio para cima e pôde ganhar. Paciência. Mas a estupidez tem um limite de tolerância.
Joao Saldanha

O Amanhã

Pintura de Di Cavalcanti

Amanhã quando acordar…quero ver flores.
Hoje quando dormir…quero ver estrela.
E um dia quando acordar,
quero acordar com o mundo melhor ,
onde não exista diferença,
para que o respeito prevaleça,você não desapareça.
Amanhã quando acordar…quero acordar com o passado morto e o presente vivo…
com o sorriso de um bom amigo…
Hoje quando dormir, quero sonhar…sonhar com você…sempre…

Mario Quintana

O “mico” autoritário de José Serra

José Serra publica uma nota em seu blog, ontem, dizendo que o documento do Conselho Político que, depois, viu-se que não era do Conselho, mas dele, Serra, nunca foi documento do Conselho Político. 

Foi um “mico” fenomenal. E revelador do autoritarismo de Serra, que pretendeu, nele, acusar Dilma de autoritária. Serra se sentiu “dono” do Conselho e disparou o documento grosseiro. Foi preciso a chiação do resto do tucanato para lembra-lo de que o cargo que ocupa é decorativo e “de consolação”.

Quem tratou muito bem disso foi o jornalista Nirlando Beirão, do R7:

“Por conta própria, sem consultar os companheiros de partido (quase escrevi amigos, mas Serra não os tem), ele lançou uma espécie de manifesto atacando duramente não só o governo, mas a própria Dilma. “Incompetente” e “autoritária” foram duas das palavras que pularam do texto borbulhante de ressentimento e deselegância.

O PSDB, responsável, desautorizou o texto. Como vocês já leram no Balaio do Kotscho, atribuiu a diatribe ao Serra, só a ele – o qual, depois de derrotado na convenção nacional pelas alas Aécio Neves e Geraldo Alckmin, tenta buscar algum espaço a bordo de um imaginário Conselho Político do PSDB.

Serra tem a pretensão de ditar as diretrizes doutrinárias da oposição. Mas ele não tem programa nenhum. Aliás, tem, sim. Uma agenda rigorosamente pessoal, solitária. Quer ser presidente da República, e ponto final. Mas a esta altura fica dizendo convencer até a Soninha Francine.

Brizola Neto
http://www.tijolaco.com/

Primo de Aécio lidera quadrilha presa pela PF em MG

Tancredo Aladin Rocha Tolentino, primo do senador Aécio Neves, é apontado como o lobista de uma organização criminosa, também chefiada pelo desembargador Hélcio Valentim, que negociava sentenças judiciais. 
 
Tancredo foi preso pela Polícia Federal e Valentim foi conduzido "coercitivamente" até Brasília, onde foi prestar depoimento na Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça. Isso depois de ter seu escritório vasculhado pelos delegados e agentes federais.

A acusação de venda de habeas corpus por R$180 mil vem sendo investigada há tempos, pela PF, com a devida autorização judicial. Segundo fontes da própria justiça, Valentim tem relação de amizade com Aécio Neves.  A rede de parentes do senador, envolvidos com problemas judiciais e policiais, é extensa. Além desse Tancredo Aladim Tolentino, em outros casos rumorosos, aparecem Rogério Tolentino, Eloá Cunha e Ildeu Cunha, estes presos com Marcos Valério em acusações diversas (espionagem, extorsão e fraude fiscal, no caso da "Cervejaria Petrópolis"). Uma simples busca no Google mostrará a lista de malfeitos dessa turma.

Aliás, Rogério Lanza Tolentino, enquanto juiz eleitoral, recebera recursos do chamado "mensalão mineiro" e em 2010 foi o primeiro condenado pelo esquema Azeredo, SMP&B, Enduro da Independência.

Mas, voltando ao novo Tolentino, o Tancredo Aladim, dono de uma cacharia em Cláudio, local em que o cavalo bêbado derrubou o senador-joquei, o mesmo ainda era desconhecido das páginas policiais.
Perde-se um amigo, mas não se perde a piada:  um é dono de cacharia, outros são presos em rolo com a cervejaria Petrópolis, e o terceiro é pego em blitz de trânsito no Leblon. Eta família etílica.
http://www.minassemcensura.com.br/

Multidão saúda Chávez de volta à Venezuela

Algumas horas depois do regresso de Hugo Chávez, uma multidão se aglomerou diante do palácio de Miraflores, sede do governo venezuelano, para ouvir e ver seu presidente.


Lembrando que não podia ” estar muito tempo aqui, porque estou submetido  a um estrito controle médico”, Chávez disse que estava “iniciando seu retorno” e que “se a natureza se opõe a nós,  lutaremos contra ela e faremos com que nos obedeça, porque ganharemos esta batalha”.


Ele disse que, provavelmente, não poderá estar presente aos atos comemorativos, amanhã, do bicentenário da independência do país.


Alguém acredita que ele vai se conter totalmente?


PS. No vídeo, para quem não sabe, a música que cantam é o hino venezuelano.

Obs deste Blog:  

"O presidente Chavez está se recuperando bem da cirurgia. Os seus inimigos podem parar de sonhar e seus amigos não precisam se preocupar. A única coisa que virou metástase é o câncer chamado Miami Herald e o resto da imprensa de extrema direita." disse o vice-ministro das Relações Exteriores, Temir Porras, no Twitter no sábado.

FHC não suportou grande favor de Itamar

Exemplo de ética e coragem, o presidente Itamar Franco precisou morrer para que evidenciasse o óbvio: a paternidade do Plano Real é, essencialmente, dele, pois, no lançamento do programa, era o Presidente da República. Mais: foi a sua obra que assegurou a façanha de ele fazer o seu sucessor, algo inédito na República. 

Quem ganhou os louros foi o seu subordinado, Fernando Henrique Cardoso, que entrou no meio do jogo, quando as jogadas para ganhar a partida já estavam armadas e, praticamente, concluídas. Como diz o empresário e filósofo autodidata Sebastião Gomes, ninguém suporta um grande favor. Pagar? Não em preço. Teria que ser compensado com outro favor maior ainda. FHC não tem capacidade para tanto. É egoista, usurário e a vaídade não deixa. Itamar foi aparentemente derrotado pelo marketing eleitoral dos tucanos, articulado para FHC ganhar a eleição presidencial brilhantemente tendo como plataforma o sucesso da obra de Itamar. 

As homenagens que o Senado, certamente, promoverá para o político mineiro, colocarão, evidentemente, os pingos nos is, removendo o mau-caratismo historico do tucanato, pródigo em faturar o sucesso dos outros. Se FHC tivesse no lugar de Itamar, teria a coragem deste e a sua generosidade de deixar o subordinado assinar a nova moeda, sabendo ser o tucano não dotado da simplidicade do mineiro, mas da vaidade do neoliberal global?

O mau-caratismo histórico existe e é amplo. As disputas de poder produzem-no às pampas. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, deu uma de mau-caráter na morte do presidente Itamar Franco. Deixou de reconhecer o óbvio: que não foi ele, mas sim o seu chefe de governo que elaborou o Plano Real, digno de sonoridade histórica, capaz de eleger e reeleger FHC. O ex-presidente tucano deixou passar informação que falseia sobre sua participação na história. A paternidade do plano não é dele, mas do patrão dele. 

Ora, quem era o presidente da República, aquele que tem a caneta na mão para assinar o lançamento do programa econômico que derrubaria a inflação, sobrevalorizaria a moeda nacional e ampliaria o endividamento público, levando, posteriormente, a economia a uma crise cambial? Sim, Itamar Franco. FHC era, apenas, Ministro da Fazenda. 

Não foi ele e sua equipe que elaboraram a Medida Provisória que determinou as providências de estabilização inflacionária. A Exposição de Motivos Interministerial n. 205/MF/SEPLAN/MJ/MTb/MPS/MS/SAF, da MP do Plano Real, de 30 de junho de 1994, foi assinada pelos ministros Rubens Ricupero(Fazenda); Benedito Veras(Planejamento); Alexandre Dupeyrat(Justiça); Marcelo Pimentel(Trabalho); Sergio Cutolo(Previdência Social); Henrique Santillo(Saúde) e Romildo Canhim(Secretaria de Administração Federal). Essencialmente, a MP criava a URV que converteria para o real, em 30 de junho, todos os valores da economia, salários, preços, contratos etc, ao mesmo tempo que estabelecia a paridade real/dólar em 1 por 1. Fernando Henrique Cardoso entraria na história porque o ministro Ricupero se lascou por conta de um escorregão histórico. Fora dar uma entrevista ao repórter Carlos Monfort , da Rede Globo, sobre a façanha histórica contida nas articulações governamentais, técnicas e políticas, para o lançamento da nova moeda, e falou besteira. O microfone estava ligado no intervalo da gravação, fora do ar, quando o ministro declarou, expondo questão ética, segundo a qual as notícias boas são apresentadas às claras, enquanto as ruins são escondidas. Demonstrou surpreendente inescrupulosidade que haveria de lhe custar o cargo. 

O presidente Itamar, pego no contrapé do escândalo, não teve outro jeito senão o de preservar sua coerência ética. Mandou seu titular da Fazenda para casa mais cedo. Havia feito isso antes com o ministro Henrique Hargreaves, da Casa Civil, acusado de corrupção. Demitiu-o e mandou investigar. As investigações revelaram inexistência de provas. Hargreaves voltou ao cargo com toda a moral. Configurou-se um belo momento da administração Itamar: seu compromisso com a ética e a ojeriza à corrupção.  Já em relação a Ricupero não deu para repetir a manobra. A gravação fora ao ar, divulgada à exaustão, tendo um Monfort presenciando, atônito, a derrubada ministerial, por culpa de um microfone aberto. Como desmentir a inescrupolosidade ministerial praticada ao vivo e a cores? 

Tremendo constrangimento. O que fez o titular do Planalto naquele momento? Teve que buscar, urgentemente, uma solução. Afinal, a medida provisória que criava a nova moeda já estava assinada por sete ministros. Seria a gloria de Itamar. Ricupero, na hora da sua desgraça política, falava, justamente, sobre a obra prima econômica itamariana. Os planos tiveram que ser alterados. Itamar Franco, como disse, teve um estalo. Lembrou de Fernando Henrique Cardoso, expoente do PSDB, então Ministro das Relações Exteriores, para substituir Ricupero. 

FHC seria pego de surpresa, numa noite, num hotel, em Nova York, onde se encontrava em missão diplomática, feliz da vida com o seu cargo honorífico, que o projetava internacionalmente, satisfazendo sua autoassumida vaidade, acompanhada de reconhecida competencia como político e sociólogo brasileiro de fama global. A história diz o resto. FHC assumiria a Fazenda, substituiria a equipe de Ricupero. Montaria sua própria equipe.

Preservou, no Banco Central, Gustavo Franco. A ele se somaram Pedro Malan, Pérsio Arida, André Lara Resende, Edmar Bacha entre outros eminentes economistas, cujas cabeças haviam sido feitas pela ortodoxia monetarista das escolas americanas, subordinadas, naquela ocasião, ao pensamento neoliberal expelido pelo Consenso de Washington e pelo Fundo Monetário Internacional, a serviço da bancocracia internacional, preocupada com a hiperinflação brasileira, desatada pela crise monetária americana dos anos de 1980, produzida pela desvalorização do dólar.

FUGA DA VERDADE

A vaidade excessiva de FHC impediu que tivesse a humildade de Itamar: reconhecer a verdade. Negou-se, mesmo diante da morte do ex-presidente, que o autor do Plano Real fora este, na condição de presidente, e não ele, então subordinado do presidente como ministro da Fazenda. Pior: a obra já estava pronta, elaborada pela equipe comandada pelo ex-minstro Rubens Ricupero, que perdeu o cargo por ter escorregado em declaração-bomba feita diante de microfones abertos em entrevista ao repórter Carlos Monfort, da Rede Globo, onde reconheceu que praticava inescrupulosidades - o que é bom a gente divulga, o que não é a gente esconde. Disse isso e caiu. Quando FHC o substituiu o Plano Real já estava pronto em forma da Exposição de Motivos n. 205, assinada por sete ministros em 30 de junho de 1994. FHC faltou com a verdade histórica.

A base do trabalho da equipe de FHC estava dada, expressa na MP 205 de 30 de junho de 1994, elaborada pela equipe de Itamar Franco. Os efeitos positivos do Plano Real começaram a acontecer antes dele nascer. O lançamento da URV(Unidade Real de Valor), em junho de 1993, atuando como segunda moeda ao lado do cruzeiro real, antes da conversão para o real, começara a produzir estabilização monetária evidente, demonstrando que, assim que ocorresse o lançamento oficial da nova moeda, o governo estouraria a boca do balão em termos populares. O que fizeram FHC e sua equipe? Lançaram o real em agosto de 1994, dois meses antes da eleição presidencial, em que FHC era candidato com o aval de Itamar.

Como o presidente deixou FHC assinar a nova moeda em vez de ele mesmo fazê-lo, porque essa era sua prerrogativa como chefe de governo, responsável pelo lançamento da nova política monetária, o efeito de marketing político favoreceu, não Itamar, mas FHC, como Pai do Real. Todos os requintes profissionais para o sucesso de uma candidatura presidencial estavam dados naquele evento histórico. FHC seria eleito e, em seguida, reeleito, porque haveria de patrocinar a emenda da reeleição no Congresso, cuja tramitação e aprovação continuam, até hoje, carregadas de presságios e acusações de que teria sido comprada a peso de ouro. Itamar , evidentemente, amargaria tremendo arrependimento, pois saiu da história presidente menor diante do ministro maior. 

Não fora o presidente da República o responsável pelo nascimento da moeda que reverteria a hiperinflação, mas o seu ministro, seu subordinado, graças a um competente marketing eleitoral. O mau-caratismo histórico de FHC é justamente o de não dar o crédito ao seu patrão, mas a si mesmo. Nem na hora da morte de Itamar, nesse sábado, ele teve a honestidade intelectual de esclarecer o que os documentos – a Exposição de Motivos N. 205, de 30 de junho de 1994 – comprovam, cabalmente. 
No velório, FHC volta a se apropriar do Real

De resto, Itamar Franco vai para a história, menos por ser o pai, verdadeiro, do real, mas porque sobressaiu-se como presidente eminentemente ético e corajoso. Não rolou corrupção no seu governo. Do ponto de vista da ética, ele representa, mais do que nunca, uma lição para a presidente Dilma Rousseff, que está cercada de espertos por todos os lados, como evidenciaram as jogadas de corrupção em marcha no Ministério dos Transportes, obrigando-a demitir toda a cúpula ministerial. Teria que ser mais radical, como foi Itamar,  mandando embora o Ministro e não apenas os seus assesores, até que as investigações sobre as denúncias veiculadas pela revista Veja, nessa semana,  sejam confirmadas ou não. Além disso, Itamar revelou grande coragem. Recusou a pagar dívidas externas do governo de Minas Gerais, quando governador, com o suor dos trabalhadores, materializando a pregação de Tancredo Neves. Recebeu o governo sem caixa e suspendeu o pagamento das dívidas, renegociando-as todas, até dispor de condições para começar a saldá-las. Não é verdade que o ex-presidente tenha sido adversário das privatizações. 

O Programa de Ação Imediata – PAI – que elaborou , em junho de 1993, contendo as medidas de austeridade fiscal e monetária, preparatórias para desembocar na nova moeda, um ano depois, previa privatizações amplas e participação do capital externo nos negócios, bem como abria o mesmo para os trabalhadores por meio de um fundo de privatizações. A reação dele às privatizações nomeadas por FHC, notadamente, a tentativa de vender Furnas, criando caso internacional, mobilizando tropas da polícia  militar mineira, pode ser interpretada como demagógica, além de carregada de ressentimentos pelo que considerou traição o comportamento de FHC por não ter reconhecido o verdadeiro Pai do Real. Mas, enfim, ética e coragem foram as marcas registradas do ex-presidente mineiro. Trata-se de grande exemplo para o Brasil, hoje , rendido aos interesses dos credores que se transformaram nos agiotas que escravizam, brutalmente, o povo brasileiro, sob silêncio de uma classe política sem fibra.

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