quinta-feira, 1 de setembro de 2011

SOBRE FILOSOFIA - XXVI

A esperança é filha do desejo, mas não é o desejo. Constitui uma aptidão mental, que nos fez crer na realização de um desejo. Podemos desejar uma coisa sem que a esperemos.Toda gente deseja a fortuna, muito poucos a esperam. Os sábios desejam descobrir a causa primitiva dos fenômenos; eles não têm nenhuma esperança de consegui-lo. O desejo aproxima-se algumas vezes da esperança, a ponto de confundir-se com ela. Na roleta, eu desejo e espero ganhar.A esperança é uma forma de prazer em expectativa que, na sua atual fase de espera, constitui uma satisfação freqüentemente maior do que o contentamento produzido pela sua realização. A razão é evidente. O prazer realizado limita-se em quantidade e em duração, ao passo que nada limita a grandeza do sonho criado pela esperança. A força e o encanto da esperança consistem em conter todas as possibilidades de prazer. Ela constitui uma espécie de vara mágica que transforma tudo. Os reformadores nunca fizeram mais do que substituir uma esperança por outra.
 
Gustave Le Bon, in "As Opiniões e as Crenças"

Crime da Veja e o ministro da Justiça

Há poucos meses ficou provado que o tabloide News of the World, de propriedade do australiano Rupert Murdoch, um magnata das comunicações, há anos promovia escutas telefônicas ilegais de pessoas influentes na política britânica. Por causa da prática criminosa o seu proprietário teve que fechar o tabloide, prestar esclarecimentos no parlamento e viu alguns diretores e jornalistas da empresa serem presos. O pedido de desculpas do magnata e todo seu poderio econômico e político foram insuficientes para evitar sua condenação na opinião pública. O escândalo, com repercussão mundial, fez com que a população continuasse exigindo a punição dos responsáveis pelo crime e que o país promova um reexame amplo do papel e da regulamentação da mídia no Reino Unido.

Nessa semana, aqui no Brasil, a revista Veja, da Editora Abril, está nas bancas com uma matéria de capa acusando o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, como sendo o poderoso chefão, dentro do PT e que conspira no governo Dilma. O conteúdo da reportagem não vai além do estilo panfletário e completamente dissociado da verdade, como costumeiramente a Veja trata todas as organizações que divergem da concepção político-ideológico da família Civita, proprietária da revista. A reportagem não tem um fiapo de informação, é só opinião, como afirma o jornalista Paulo Henrique Amorim. Não merece credibilidade uma vez que, como é sabido, a Veja mente.

Mas a forma como a reportagem foi construída merece sim a atenção da opinião pública brasileira. Como está registrado em Boletim de Ocorrência (BO) numa delegacia de polícia da Capital Federal, o repórter da revista tentou invadir o quarto do hotel onde Dirceu se hospeda.


Talvez agora a Veja saiba a diferença entre as ações de invadir e de ocupar. Tudo indica, ainda em investigações preliminares, que para ilustrar o que chama de reportagem, o jornalista instalou ilegalmente uma câmera para obter imagens dos hospedes e freqüentadores do hotel. Não há limites ao escárnio com que a semanal dos Civita trata o Estado de Direito. O sentimento de completa impunidade lhe permite praticar um jornalismo que confabula com a ilegalidade.


A mídia em geral, em colusão com a prática criminosa da revista, não dedicou uma linha para informar a opinião pública do fato ocorrido. Uma abismal diferença de quando houve a quebra do sigilo da declaração de imposto de renda de um político tucano. Essa é a liberdade de imprensa defendida pelos proprietários dos meios de comunicação. Liberdade para filtrar os acontecimentos, amplificando ou escondendo os fatos, de acordo com seus interesses próprios.


A ficha corrida da Veja é tão extensa quanto de longa data. Um grupo empresarial que cresceu sob a sombra protetora da ditadura militar, tanto aqui quanto na Argentina. Que não hesita em atacar a honra das pessoas, da forma mais vil, para atingir seus objetivos, como fez com o delegado da Policia Federal Paulo Lacerda, responsabilizado, nas páginas da revista, por ter grampeado os celulares do então presidente do STF Gilmar Mendes, e alguns parlamentares. Em momento algum apareceu o áudio dessa gravação ou qualquer outra prova de que havia ocorrido o grampo. Lacerda perdeu seu cargo na Policia Federal, a revista e seus capangas – usando palavras de um inflamado discurso do Ministro do STF Barbosa – da mentira montada permanecem completamente impunes.


O próprio presidente Lula foi vítima do exercício da mentira nas páginas da publicação do Grupo Abril. Hora o acusaram de ter vínculos econômicos com as Farcs, grupo revolucionário da Colômbia, hora de ter contas secretas em paraísos fiscais. Novamente, nada foi provado e repetiu-se a impunidade.


Até quando a população brasileira vai ser desrespeitada por essa forma de fazer jornalismo da família Civita? Quantas vezes ainda veremos essa revista abrir sua caixa de maldades, durante um processo eleitoral, às sextas-feiras, para abastecer o Jornal Nacional da Rede Globo e tentar influir determinantemente no resultado eleitoral, sem que as autoridades tomem quaisquer providências? A palavra está com quem tem o dever de apurar e, se comprovado, punir as práticas criminosas, inclusive as da mídia.


Bom seria se, seguindo o exemplo vindo do Reino Unido, o país aproveitasse para reexaminar o papel e regulamentação da mídia, visando fortalecer nossa democracia. Daquele país, em artigo de Martin Wolf publicado no Financial Times, vêm indicativos da necessidade de rever as leis de privacidade e difamação; regulamentação da imprensa; concentração da propriedade por veículos e sobre diferentes mídias; papel da mídia pública; financiamento público da mídia em geral e da produção de notícias em particular.


Já seria um começo a ser seguido pelo nosso país. Se a distância ou a língua britânica servem de empecilho junto às autoridades, por que não seguir o exemplo da vizinha Argentina com sua Ley de Medios? Com a palavra o Ministro das Comunicações. Mas antes, com palavra o Ministro da Justiça, no caso da tentativa de invasão de um quarto de hotel na Capital Federal.

Editorial do jornal Brasil de Fato

A "lista espúria" contra Cuba


Declaração do Ministério de Relações Exteriores da República de Cuba:

No dia 18 de agosto, o Departamento de Estado incluiu Cuba, pela trigésima vez, na espúria lista de "Estados patrocinadores do terrorismo internacional”, com o único propósito de desacreditar nosso país e continuar justificando a política cruel e repudiada de bloqueio contra Cuba.

O governo dos Estados Unidos, que, historicamente, tem praticado o terrorismo de Estado, as execuções extrajudiciais, os sequestros de pessoas, os assassinatos com aviões não tripulados, a tortura e as detenções ilegais; que tem estabelecido cárceres secretos; que é responsável pela morte de centenas de milhares de civis inocentes como resultado de suas guerras de ocupação e conquista no Iraque e no Afeganistão; que bombardeia sistematicamente a Estados soberanos, como a Líbia, não tem a mais mínima moral nem direito algum de julgar Cuba, que tem uma trajetória irrepreensível na luta contra o terrorismo e que tem sido, além disso, sistematicamente vítima desse flagelo.

O governo dos Estados Unidos atua como se não houvesse amparado de maneira permanente ao criminoso confesso Luis Posada Carriles, a quem não quis julgar por cargos de terrorismo, apesar de contar com bastante provas. Posada Carriles, juntamente com Orlando Bosch Ávila, que foi beneficiado por um perdão presidencial de George Bush pai, é autor do horrendo atentado contra um avião civil cubano em pleno voo, que custou a vida de 73 pessoas inocentes. Também é responsável direto pela morte do turista italiano Fabio Di Celmo durante os atentados com bombas em instalações turísticas cubanas, em1997. Hoje, Posada Carriles, passeia livre e impunimente pelas ruas de Miami, após ter sido absolvido em uma farsa judicial, em El Paso, Texas.

Ao mesmo tempo, com prova irrefutável, o governo norte-americano mantém em injusta prisão e castiga aos nossos cinco lutadores antiterroristas, por preservar a vida de cidadãos cubanos, norte-americanos e de outros países.

3.478 cubanos morreram e outros 2.099 ficaram mutilados como resultado de ações terroristas organizadas, financiadas e executadas a partir do território norte-americano, em muitos casos, com a própria cumplicidade do governo dos Estados Unidos.

A manipulação política de um tema tão sensível, como a luta contra o terrorismo, ofende também a memória das vítimas dos criminosos atos de 11 de setembro de 2001, fato que suscitou a solidariedade e o oferecimento de ajuda incondicional de nosso governo e povo.

Cuba exige ao governo dos Estados Unidos que castigue aos verdadeiros terroristas que hoje residem em território norte-americano; liberte aos Cinco Heróis e ponha fim à política de bloqueio e hostilidade contra nosso país, que atenta contra os interesses legítimos de ambos os povos.

http://www.adital.com.br/

Greve dos Professores em MINAS: Governo Tucano finge que não vê!

Sindicato critica fala de governador em relação a greve em Minas

O Governador do Estado, Antonio Anastasia (PSDB), convocou uma coletiva com a Imprensa para às 10 horas desta segunda-feira (29/8). Na verdade, não foi uma coletiva e sim um pronunciamento, uma vez que os jornalistas não tiveram o direito de fazer nenhuma pergunta. No pronunciamento, o Governador abordou questões que não significaram nenhuma novidade como as questões abaixo:

Anúncio do Governador: 62% da categoria optou pelo subsídio

Observação do Sind-UTE/MG: dos 398 mil cargos da educação, apenas 200 mil tiveram o direito de opção entre as formas de remuneração. Destes, 153 mil saíram do subsídio. Portanto, não se pode afirmar que 62% optaram pelo subsídio, porque o Estado não deu o direito de opção a todos os servidores da educação.

Anúncio do Governador: A decisão do STF não muda em nada a nova sistemática de remuneração em Minas Gerais

Observação do Sind-UTE/MG: o Estado de Minas não paga o Piso Salarial Profissional Nacional determinado pela Lei Federal 11.738/08. Conforme julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), publicado no dia 24/08, "é constitucional a norma geral federal que fixou o Piso Salarial dos professores do ensino médio com base no vencimento e não na remuneração global." O Subsídio, forma de remuneração implantada em Minas Gerais, não é Piso Salarial, mas remuneração global, conforme descrito nos artigos 2º e 3º da Lei Estadual 18.975/10.

Anúncio do Governador: O Sindicato reivindica 300% de reajuste

Observação do Sind-UTE/MG: A reivindicação da categoria é o pagamento do Piso Salarial Profissional Nacional, instituído pela Lei Federal 11.738/08. O governador não recebeu reivindicação de 300% de reajuste e sim de cumprimento da Lei do Piso.

Anúncio do Governador: A adesão à greve é de 20%

Observação do Sind-UTE/MG: A greve atinge 50% do Estado. A estratégia de minimizar o movimento não é o melhor instrumento para resolver o conflito em questão.

Anúncio do Governador: Pedirá ao Ministério Público que agende nova reunião para dialogar com o Sindicato.

Observação do Sind-UTE/MG: Estamos abertos ao diálogo. Na semana passada, antecedendo à Assembleia Estadual do dia 24/08, o Sindicato procurou diversas vezes o Ministério Público, sem conseguir o agendamento de reunião.

Anúncio do Governador: Os alunos não serão prejudicados

Observação do Sind-UTE/MG: Se o governo acha que contratar pessoas sem formação para responder pelo processo de ensino aprendizagem dos alunos não traz prejuízo ou que 83 dias de greve já não causou enorme prejuízo a todos, não sabemos o que, na visão do governo, causaria prejuízo.

Nesta segunda-feira o Sind-UTE/MG entrega um dossiê da educação mineira e das relações de trabalho a representantes da Organização Internacional de Trabalho (OIT).

Nova assembleia da categoria acontecerá no dia 31/08, 14 horas, no pátio da Assembleia Legislativa.

Fonte: Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais

Quem o povo escolhe?

As declarações de Dilma Rousseff de que “queremos que, a partir deste momento, comecemos a ter no horizonte a possibilidade de redução de juros no Brasil” foram o bastante para que comece uma “onda” de que a presidenta está colocando o Banco Central sob “pressão política”.

Previsões sobre o futuro dos juros, os bancos fazem toda a semana e nem por isso alguém reclama que o façam, até porque é parte essencial de seu negócio.

A presidenta querer que o país tenha “no horizonte a possibilidade de redução de juros no Brasil” está longe de ser ilegítimo ou anti-institucional, como sustentam a mídia e os comentaristas econômicos. Porque o Banco Central é uma instituição que, com toda a independência técnica, conduz uma política, a monetária, diretamente ligada ao desempenho da economia do país e, por conseguinte, à vida de seus cidadãos.

A declaração da presidente nada tem a ver, senão, com isso. É parte das responsabilidades de um governante zelar para que a nação que representa entre em retração econômica, que pessoas percam os empregos, que a indústria e os serviços se afundem e só uma parcela ínfima de pessoas sejam premiada com juros altos e lucros gigantes.

O Governo estivesse defendendo um esparramo de gastos irresponsáveis, está sinalizando com austeridade, com moderação nos gastos menos importante. A receita cresceu num ritmo muito superior à despesa e mesmo a redução dos investimentos ocorreu, além do que ocorre normalmente nos primeiros meses de governo, pela paralisação de grandes projetos viários onde houve suspeita de que o dinheiro estivesse sendo mal gasto.

O Banco Central tem elementos técnicos para parar a alta de juros e começar a reverter este processo. Nossa inflação não é de demanda – isto é, porque o povo está comprando muito – mas de três outras fontes.

A primeira, a cambial, onde assistimos uma guerra especulativa que sobrevalorizou nossa moeda e, para que isso não nos coloque em risco, nos obriga a comprar uma montanha de dólares. As reservas internacionais brasileiras, uma espécie de “colchão” para atenuar efeitos de crises mundiais sobre nossa economia subiu, de 1º de janeiro até meados de agosto, nada menos que US$ 64 bilhões. Esta guerra cambial gasta só mais em três meses que um mês da guerra do Afeganistão custa aos Estados Unidos, que lá gastam US$ 16 bilhões mensais! Porque a diferença manter este dinheiro, captado através de títulos públicos, em aplicações internacionais chega a US$ 19 bilhões por trimestre.

A segunda origem de nossa inflação, este ano, é a crise do etanol, de longe o maior ingrediente na alta de preços captada pelo IPCA – índice oficial da inflação, que beira os 7% acumulados em 12 meses. Não foi provocada por demanda, mas por falta de oferta, provocada pela falta de investimentos dos produtores e pela corrida às exportações de açúcar, em 2009 – quando se “desovaram” todos os estoques do produto e no ano passado, que fizeram a produção ser desviada do etanol.

E a terceira causa, a mais difícil de combater, foi o efeito da pressão exercida insistente e avassaladoramente pelos meios de comunicação de que estávamos vivendo uma explosão inflacionária de graves proporções. Isso atuou sobre os pequenos agentes econômicos de uma maneira perversa, provocando aumentos generalizados em pequenos serviços e comércios, com a natural reação de se protegerem de uma maré de desvalorização do dinheiro. A operação de “hedge” da pensão da esquina é aumentar R$ 1 no prato feito.

Além do mais, o gráfico publicado ontem aqui mostra que a curva de acumulação de aumentos de preços, tomadas na economia como um todo e não apenas na ponta do consumo, como faz o IPCA – mostra que temos, sim, uma desaceleração –e forte – na conta acumulada em 12 meses.

Para recordar, veja a curva, abaixo.
A baixa dos juros não é um atropelo técnico imponderado. Não é uma irresponsabilidade ou um voluntarismo econômico descalçado da realidade.

Porque aos fatores internos se somam os externos, dos quais ninguém já duvida, de uma retração da economia mundial que vai se refletir nos preços de nossos produtos de exportação que, caindo no mercado de commodities mundial, pressionarão menos os preços internos.

O Banco Central tem e deve ter toda a autonomia de como e, no ajuste fino dos prazos, quando fazer. Mas não tem a autonomia de decidir o que fazer. Esta responsabilidade, porque vital para o país, é daquele a quem o povo escolheu para governá-lo e conduzir o Brasil.

Um Presidente da República não pode ser um títere a quem cabe conduzir para lá e para cá um “sacerdote” do Deus Mercado, com sua mão já nem tão invisível.

Os avanços que, históricamente, este país conseguiu fazer ocorreram todos quando, num momento de refluxo mundial, tivemos coragem e decisão de remar na direção inversa. Foi assim na 2ª Guerra Mundial, quando começamos a deixar de ser prisioneiros da cafeicultura, foi assim na “marolinha”, quando nos voltamos para o mercado interno.

Quem não tem coragem de furar a onda, é levado por ela. E o Brasil não vai deixar que este período de expansão que vivemos, este momento de desenvolvimento com inclusão social inédito que atravessamos, vá morrer na praia.

Fernando Brito
http://blogprojetonacional.com.br/