quarta-feira, 7 de setembro de 2011

SOBRE A VERDADE XXX

Queremos todos ajudar-nos uns aos outros. Os seres humanos são assim. Queremos viver a felicidade dos outros e não a sua infelicidade. Não queremos odiar nem desprezar ninguém. 

Neste mundo há lugar para toda a gente. E a boa terra é rica e pode prover às necessidades de todos. O caminho da vida pode ser livre e belo, mas desviámo-nos do caminho. A cupidez envenenou a alma humana, ergueu no mundo barreiras de ódio, fez-nos marchar a passo de ganso para a desgraça e a carnificina. 

Descobrimos a velocidade, mas prendemo-nos demasiado a ela. A máquina que produz a abundância empobreceu-nos. A nossa ciência tornou-nos cínicos; a nossa inteligência, cruéis e impiedosos. Pensamos de mais e sentimos de menos. 

Precisamos mais de humanidade que de máquinas. Se temos necessidade de inteligência, temos ainda mais necessidade de bondade e doçura. Sem estas qualidades, a vida será violenta e tudo estará perdido.

O avião e a rádio aproximaram-nos. A própria natureza destes inventos é um apelo à fraternidade universal, à união de todos. Neste momento, a minha voz alcança milhões de pessoas através do mundo, milhões de homens sem esperança, de mulheres, de crianças, vítimas dum sistema que leva os homens a torturar e a prender pessoas inocentes. 

Àqueles que podem ouvir-me, digo: Não desesperem. A desgraça que nos oprime não provém senão da cupidez, do azedume dos homens que têm receio de ver a humanidade progredir. O ódio dos homens há-de passar, e os ditadores morrem, e o poder que tiraram ao povo, o povo retomá-lo-à. Enquanto os homens morrerem, a liberdade não perecerá.

Charles Chaplin, in 'Discurso final de "O Grande Ditador''

EUA e a obscura arte da propaganda

Quando se mente, deve-se mentir grande e ser fiel a essa mentira”, escreveu Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda do Reich alemão em 1941. O ex-vice-presidente Dick Cheney parece ter adotado o famoso conselho nazi em seu novo livro: “Em meu tempo”. Cheney continua sendo fiel a suas convicções em temas que vão desde a invasão do Iraque até o uso da tortura. Durante uma entrevista ao programa Dateline, da NBC News, ele disse em referência às revelações deste livro: “Elas farão rolar muitas cabeças em Washington”. As memórias de Cheney seguem as de seu colega e amigo Donald Rumsfeld. Enquanto ambos promovem sua própria versão da história, há gente que os desafia e enfrenta.

O título do livro de Rumsfeld, “Conhecido e desconhecido”, provém de uma tristemente célebre resposta que deu durante uma conferência de imprensa no Pentágono quando era ministro da Defesa. No dia 12 de fevereiro de 2002, quando tentava explicar a falta de evidências vinculando o Iraque às armas de destruição de massa, Rumsfeld disse: “Há conhecidos que conhecemos, há coisas que sabemos que sabemos. Também sabemos que há conhecidos que desconhecemos, o que quer dizer que sabemos que há algumas coisas que não sabemos. Mas também há coisas desconhecidas que desconhecemos, aquilo que não sabemos que não sabemos”.

A enigmática declaração de Rumsfeld tornou-se famosa e emblemática de seu desdém pelos jornalistas. É considerada como um símbolo das mentiras e manipulações que levaram os Estados unidos à desastrosa invasão e ocupação do Iraque.

Uma pessoa que se convenceu graças à retórica de Rumsfeld foi Jared August Hagemann.

Hagemann se alistou no exército para servir seu país, para fazer frente às ameaças que repetidamente mencionava o ministro da Defesa Rumsfeld. Quando o soldado do comando do exército dos EUA recebeu a carta de notificação para seu mais recente deslocamento ao campo de batalha (sua esposa não lembra se era o sétimo ou oitavo), a pressão foi demasiada. No dia 28 de junho de 2011, Jared Hagemann, de 25 anos de idade, atirou em si mesmo na base conjunta Lewis-McChord, perto de Seattle. O Pentágono disse que Hagemann morreu por causa de um ferimento de bala “auto-infligido”, mas ainda assim não falou em suicídio.

Jared havia ameaçado se matar várias vezes antes. Não era o único. Segundo se informou, cinco soldados cometeram suicídio em Fort Lewis em julho. Estima-se que mais de 300 mil soldados que voltaram da guerra padecem de transtornos de stress pós-traumático e depressão.

A viúva de Hagemann, Ashley Joppa-Hagemann, inteirou-se de que Rumsfeld autografaria exemplares de seu livro na base. No dia 26 de agosto, Ashley entregou a Rumsfeld uma cópia do programa dos serviços fúnebres em memória de seu falecido esposo. Ela me contou: “Disse que queria ele tivesse vindo ao enterro do meus esposo e assim poderia conhecer o rosto de pelo menos um dos soldados que perderam a vida por causa de suas mentiras em relação a 11 de setembro”.

Perguntei acerca da resposta de Rumsfeld: “Tudo o que lembro é ele dizendo:Ah, sim, ouvi algo sobre isso”. E, logo em seguida, tudo o que lembro é de ter sido agarrada pelo pessoal da segurança, empurrada para fora e advertida para não regressar”. Infelizmente é o sargento Hagemann que nunca mais regressará á sua esposa e seus dois pequenos filhos.

Em sua entrevista para a NBC, Cheney afirmou ter um desempenhado um papel na renúncia do então secretário de Estado, Collin Powell. Sobre isso, consultei o ex-assessor de Powell, o coronel Lawrence Wilkerson, que respondeu: “Pelos trechos que li, não li todo o livro, a coisa mais impactante dita pelo vice-presidente em seu livro é que ele teve algo a ver com o afastamento de Colin Powel de seu cargo, em janeiro de 2005. Isso é um disparate total”. Mas importante, porém, é o chamado de Wilkerson, exortando a que os envolvidos em levar o país à guerra no Iraque sejam responsabilizados por seus atos, o que implicaria um castigo para ele próprio.

Um pilar central da invasão do Iraque foi o discurso de Powell no dia 5 de fevereiro de 2003 nas Nações unidas, no qual expôs o caso das armas de destruição em massa. Wilkerson assume plena responsabilidade pela coordenação do discurso de Powell: “Infelizmente, e já reconheci isso muitas vezes pública e privadamente, fui a pessoa que preparou a apresentação de Colin Powell ante o Conselho de Segurança das Nações Unidas no dia 5 de fevereiro de 2003. Provavelmente foi o maior erro da minha vida. Lamento este dia até hoje. Lamento não ter renunciado nesse momento”.

Perguntei ao coronel Wilkerson o que ele pensa de grupos como o Centro pelos Direitos Constitucionais e do advogado e blogueiro Glenn Greenwald que pediram o julgamento de Cheney, Rumsfeld e outros funcionários do governo Bush. Ele me respondeu: “Estaria pronto a testemunhar, e estaria disposto a enfrentar qualquer castigo que mereça”.

O coronel Wilkerson disse sobre o livro de Cheney: “É um livro escrito sem medo. Sem medo de que, algum dia, alguém faça de Dick Cheney um Pinochet”. O coronel Wilkerson se refere ao caso do ditador chileno Augusto Pinochet, que foi preso na Inglaterra e detido durante um ano antes de ser liberado. Um juiz espanhol queria que o extraditassem para julgá-lo por crimes contra a humanidade.

A poucos dias do décimo aniversário do 11 de setembro e enquanto aumentam as vítimas em todos os lugares, os livros de Rumsfeld e Cheney nos lembram uma vez mais qual é a primeira vítima da guerra: a verdade.

Amy Goodman é apresentadora de Democracy Now! um noticiário internacional diário, nos EUA, de uma hora de duração que emite para mais de 550 emissoras de rádio e televisão em inglês e em 200 emissoras em Espanhol. Em 2008 foi distinguida com o "Right Livelihood Award" também conhecido como o "Premio Nobel Alternativo", outorgado no Parlamento Sueco em Dezembro.

Denis Moynihan colaborou na produção jornalística desse artigo.

Aécio e seus números sobre o Brasil

Na última semana de agosto, o artigo (FSP, 20/08/2011) do senador Aécio Neves faz um exercício primário com números, estabelecendo rankings a torto e a direito, sem qualquer preocupação de correlacioná-los a déficits históricos em termos de política industrial no país, além de políticas de fomento à ciência e tecnologia, qualificação profissional etc. Vale lembrar que a abertura das fronteiras comerciais, no frenesi neoliberal, teve largo impulso com o governo FHC (do qual Aécio foi um dos principais líderes). Isso contribuiu muito para os números que ele agora replica. O sucateamento de universidades e da pesquisa científica também. Dos CEFETs, idem. 

 Talvez seja por isso que, ao falar de números, os expõe com um padrão de aleatoriedade tal, que reprovaria qualquer estudante de economia do terceiro período da PUC/MG. Mas o nosso bacharel nessa ciência econômica não se preocupa muito, nem com ciência, nem com coerência.

Para não dizer que o Movimento Minas Sem Censura vive de implicâncias com ele, passamos a palavra ao presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais/FIEMG, Olavo Machado, que em seminário realizado na Assembleia Legislativa mineira, expôs os verdadeiros números da economia regional. Suas palavras iriam provocar um “choque de realidade”, se a imprensa local resolvesse divulgá-los.

Criticando “os discursos grandiosos” sobre a economia mineira, o insuspeito presidente da FIEMG traça um quadro dramático de Minas. Em termos bem sintéticos e esquemáticos, eis o diagnóstico que ele faz do estado governado pelo tucano Aécio Neves,  por sete anos e três meses:

Nos próximos 20 anos, o Mundo e o Brasil crescem, e Minas não está preparada para disputar mercados. Falta investimento em inovação, infraestrutura, logística, em capacitação e formação profissional, ausência de política estadual de crédito etc, que geram perda de competitividade e consolidam nossa dependência da exportação de commodities (minério e produtos agrícolas).

Das 120 mil empresas industriais do estado, 62 mil “não geram emprego algum na indústria”; 30 mil possuem “de 1 a 4 empregos”; 22 mil tem até 29 empregos formais em cada unidade; em suas palavras “mais de 90% desse universo imenso de empresas não apresenta produtividade, escala e inovação em processos e produtos para operar e concorrer globalmente”. E ressalta que os indicadores da economia brasileira demonstram a ampliação exponencial do consumo de massa, o que exigiria “um efetivo e consistente processo de desenvolvimento econômico e social”, para que Minas disputasse parcela desse mercado emergente.

A produtividade da “nossa indústria” está 5% abaixo da média brasileira e 20% da paulista, e é inferior à média nacional em 69 setores, sendo que em 25 destes, essa menor produtividade ainda manifesta “comportamento de queda” nos últimos 10 anos. O Valor da Transformação Industrial -  VTI -  mineiro é 20% inferior à média nacional e 40% menor na relação com São Paulo. As gigantes estatais mineiras (CEMIG, COPASA, CODEMIG) fizeram compras “mínimas ou insignificantes” de fornecedores mineiros. A carga tributária estadual é “excessiva e concentrada”.

Enfim, as propostas da FIEMG para a superação desse quadro poderiam ter sido adotadas há oito anos, impactando a condição atual da competitividade da economia regional: readequação tributária, formação e capacitação profissional, política creditícia, incentivos estaduais e municipais diversos etc. Sua excelência, o senador Aécio Neves, ainda que não seja, de fato, um economista, tinha e tem conhecimento desses números.

 Em entrevista à “Mercado Comum”, nº 216, Machado completa:

 “Sempre me preocupei com avaliações feitas por média, uma vez que não contemplam toda a verdade dos fatos, inclusive suas distorções. Cada vez mais, devemos nos conscientizar de que são a microeconomia e economia local que nos dão a exata dimensão do que ocorre.”

A propósito, a citada revista tornou público o número da “Dívida Pública Total” do estado: R$ 67.812.919.776,51 em 31/12/2010. Ou seja, um “papagaio” de 68 bilhões que, no calote de informações tucano, são excluídos dos balanços políticos de seu governo e de seu sucessor. Considerando ainda uma dívida de R$ 5.342. 359. 887,16 com a CEMIG (que veio a público recentemente) e a atualização da anteriormente citada, chega-se a cifras absurdas. Sempre omitidas nas imprecações do senador mineiro.

O professor Flávio Constantino, esse sim economista e pesquisador, em artigo publicado na imprensa mineira, mostra que a exuberância dos números médios de Minas, pós-crise de 2008, esconde uma dura realidade:

“Apesar do saldo comercial extremamente favorável, os números deixam de ser tão vistosos quando comparadas as taxas de crescimento das exportações. Na década em questão, Minas Gerais ocupa apenas a 16ª posição. Com a crise econômica, foi um dos estados que mais perderam em termos de renda, exportações e tributos. A crise, na verdade, só nos fez relembrar os riscos inerentes a especialização produtiva e comercial, nossa dependência das commodities. Até as patentes registradas pelos mineiros estão fortemente concentradas no setor mínerometalúrgico.”

Na sua opinião, Minas Gerais chega em 2011 ostentando uma década perdida, em termos de posicionamento estratégico na economia: 40% das divisas arrecadadas pelo estado vem da exportação de minério e café! Ou seja, isso é algo que há 200 anos garante o dinamismo ou estagnação da economia regional.

Essa análise, a indicação das fontes e as conclusões constam do informativo eletrônico nº 15, de maio de 2011, do Minas Sem Censura (www.minassemcensura.com.br).

Aécio, em seus 16 anos como deputado federal, não registra nenhuma iniciativa sua,  em termos de política de fomento industrial, qualificação profissional, fortalecimento da pesquisa, inovação etc. Assim, quando falar de números e estatísticas ele deveria lembrar que de te fabula narratus.*

Finalmente, tivesse o senador mineiro compromisso no tratamento adequado dos números, poderia ele fazer também o mesmo ranking para o ano de 2002: último da gestão de FHC, no qual ele era o presidente da Câmara de Deputados. Mas ele sabe que se assim o fizesse, a verdade da tragédia tucana viria à tona.

www.minassemcensura.com.br

Minas Gerais: Araponga trapalhão na greve dos professores

Exclusivo: professores em greve denunciam repressão policial

O Jornal da Alterosa recebeu uma denúncia de repressão policial ao movimento grevista dos professores da rede estadual. Você vai ver, com exclusividade, o momento da abordagem a um suspeito de rondar, há 10 dias, o sindicato da categoria.

O Jornal da Alterosa recebeu uma denúncia de repressão policial ao movimento grevista dos professores estaduais e flagrou a abordagem de um suspeito de rondar o sindicato da categoria em Belo Horizonte.

O deputado estadual Rogério Correia e funcionários do Sind-UTE abordaram o homem que estava parado próximo à sede que fica no bairro Floresta para pedir explicações sobre a perseguição. O suposto policial militar à paisana não deu nenhuma justificativa, tentou arrancar o carro, foi impedido e teve que sair a pé. Um homem que não quis se identificar por questões de segurança disse que o suposto policial fica parado dentro ou fora do carro o dia inteiro.

Segundo o deputado, ele ligou duas vezes para a Polícia Militar pedindo uma viatura para identificar de quem é o veículo e como resposta, o Comandante Geral da PM disse que não iria enviar a viatura e o acusou de tentar criar um fato político.